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Tudo sobre Estados e congresso planejam criar um imposto

Estados e congresso planejam criar um imposto

Além da construção de consensos para a reforma tributária, outra proposta negociada pelos estados é a criação de um imposto sobre jogos eletrônicos (apostas) que poderia financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública, com capacidade de geração de receita de R$ 16 bilhões/ano. ‘É outra pauta que estamos trabalhando e que, segundo Davi e Maia, vai ser priorizado no Congresso, junto com a tributária’, disseram os governadores do Piauí, Wellington Dias (PT), e de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

Os 27 governadores fecharam um acordo com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para que até o fim de setembro seja concluída a votação de pelo menos quatro propostas da “pauta federativa”. O consenso é para aprovação, com urgência, de projetos que podem gerar receitas adicionais e imediatas aos Estados para dois fins, conforme acertado também com a equipe econômica: cobertura do déficit da Previdência e injeção de recursos para investimentos públicos.

Conforme estimativas dos próprios governadores, se aprovados todos os projetos, incluindo uma ideia de tributação de jogos eletrônicos para bancar o Fundo Nacional de Segurança Pública, os Estados poderão contar com R$ 137,9 bilhões.

O acordo foi selado na quarta-feira, em Brasília, e teve os governadores do Piauí, Wellington Dias (PT), e de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), como porta-vozes dos colegas. “Trouxe uma mensagem, do conjunto de governadores, para que seja priorizada a pauta federativa”, afirmou Wellington Dias ao Valor.

De maneira inédita no país:

os chefes de Estado também sinalizaram aos presidentes da Câmara e do Senado que há acordo geral sobre a necessidade de se aprovar uma ampla reforma tributária com unificação de impostos e que o texto mais consensual, até o momento, é o apresentado pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP), ainda que sugestões adicionais sejam levadas a Maia e Alcolumbre futuramente.

Wellington Dias salienta que, nas últimas três décadas, os governadores sempre foram o principal entrave para o avanço de uma reforma tributária. “Acredito que nós temos uma oportunidade, a melhor que tivemos em todos os outros momentos no país. É real a possibilidade de todos sentarem à mesa com essa proposta, todos os governadores, a Câmara e o Senado, com grande disposição ao entendimento”, definiu o governador. A única coisa a ser evitada na reforma tributária, enfatizou, é desequilíbrio. Por isso a transição de 10 anos até o fim de incentivos fiscais, a repactuação de receita para compensar perdas e a criação futura de um fundo de desenvolvimento regional seriam, sustenta Dias, “uma pactuação muito inteligente”.

Uma pessoa segurando várias cédulas de 100 reais em suas mãos, espalhadas. As mãos parecem ser de um adulto mais velho, refletindo a preocupação de como os estados e o congresso planejam criar um imposto. O fundo está desfocado.

O movimento dos governadores…

É uma reação à retirada dos Estados e municípios da reforma da Previdência. Apesar de os governadores apoiarem a ideia do Senado de apresentar uma nova emenda constitucional (a PEC paralela) para inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência, há um cálculo racional de boa parte dos políticos de que dificilmente a Câmara vai endossar essa ideia. Foi por iniciativa dos deputados federais, em especial do Centrão, que servidores estaduais e municipais não foram atingidos pelas mudanças no sistema previdenciário.

O governador do Piauí, que já foi deputado e senador, não tem expectativa de aprovação da PEC paralela, apesar de reconhecer o empenho de Alcolumbre e do Senado de buscarem uma solução para a reinserção de Estados e municípios na reforma. “Embora seja uma oportunidade nova, eu acho que é muito, muito difícil, na volta aprovar isso na Câmara. Mas a esperança é a última que morre”, disse Dias.

A sintonia que os governadores buscam com o Congresso é também reflexo do atual momento político. Tanto Rodrigo Maia quanto Davi Alcolumbre já deixaram claro que o Legislativo vai assumir o protagonismo do debate na agenda econômica. “O fato é que é o Legislativo que tem sido o ponto central para este entendimento”, reconhece Wellington Dias. Esse protagonismo do Congresso, avalia, tem uma vantagem pelo fato de ser um palco nacional, com atores da oposição e governistas, em que “um precisa do outro”.

DESSA FORMA:

O pacto selado com Maia e Alcolumbre envolve as seguintes propostas: a) securitização de dívidas, que introduz novos métodos de cobrança de sonegadores de impostos; b) o chamado plano Mansueto, de recuperação fiscal de Estados; c) bônus de assinatura (cessão onerosa de gás e petróleo), com liberação imediata de receitas; d) fundo social da cessão onerosa do pré-sal.

Em relação à dívida ativa, Dias diz que o estoque é de R$ 400 bilhões, mas o projeto em tramitação, que vai introduzir “normas mais modernas de cobrança” aos sonegadores, pode viabilizar R$ 80 bilhões de recursos aos Estados. “O Piauí arrecadava pelo menos R$ 50 milhões ao ano, vai chegar a 200 milhões. Ficou acertado que em agosto o Rodrigo Maia vai tratar com prioridade desta pauta. Alcolumbre disse que se tiver alteração na Câmara e voltar ao Senado, tem condição de apreciar até o meio de setembro”, contou o governador.

Em relação ao Plano Mansueto, os governadores esperam que possa permitir a liberação de R$ 10 bilhões aos Estados com déficit fiscal mais grave e outros R$ 5 bilhões aos com dificuldades moderadas. A proposta, reconhece o governador, “abre espaço de crédito vinculado a metas fiscais e permite tanto equilíbrio fiscal quanto a capacidade de investimento maior”.

Outra proposta

Que está listada no acordo é a que permite o bônus de assinatura dos contratos da cessão onerosa de gás e petróleo. A previsão de leilão da União é em setembro e pode gerar R$ 104 bilhões, sendo R$ 34 bilhões para a Petrobras e R$ 70 bilhões aos Estados e municípios. “Deste valor, há o compromisso do governo federal de colocar R$ 4 bilhões para pagamento da Lei Kandir, que beneficia principalmente Estados de maior exportação, e R$ 21 bilhões para todos os Estados, sendo R$ 10,5 bi para as 27 unidades da federação e outros R$ 10,5 bi para municípios”, relata o governador do Piauí.

Por fim, os governadores aguardam para até o fim de setembro também a aprovação do fundo social da cessão onerosa. Dias explica que a União optou por ceder parte dos royalties do petróleo de maneira escalonada, começando com 30% em 2020, e os outros 70% pagos ao longo de oito anos. “Começa com mais ou menos R$ 3,8 bilhões, sendo metade para Estados e metade a municípios.”

VEJA QUE:

“O que é que tem de novo em tudo isso: as 27 unidades da federação pactuaram que todas essas receitas novas terão a destinação priorizada para [cobrir] déficit da Previdência e investimento. E o que é que isso tem de bom: garante equilibrio fiscal e aumento da capacidade de investimentos”, reflete Dias, professoralmente.

O petista não demonstra nenhum desconforto em atuar nestas negociações e ser um quadro da oposição. Ele afirma que em relação à reforma tributária, por exemplo, conversou longamente com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, para apontar a visão dos governadores sobre as propostas em tramitação no Congresso. Existe a compreensão da esquerda, alega, de que governadores e prefeitos “precisamos ter a coragem de defender aquilo que permite governabilidade e a governança”.

Dias vê como saldo negativo da reforma da Previdência a retirada dos Estados e municípios. Disse que sem este compromisso os governadores de oposição não viram sentido em “tensionar” as relações com seus partidos, já que não teriam nenhum benefício. Os erros do passado e as distorções do sistema previdenciário impedem, reforça Dias, que R$ 200 bilhões da União, Estados e municípios sejam destinados a investimentos. Por isso, “Essa é a grande crise do país hoje.”

Além da construção de consensos para a reforma tributária, outra proposta negociada é a criação de um imposto sobre jogos eletrônicos que poderia financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública, com capacidade de geração de receita de aproximadamente R$ 16 bilhões/ano.

Uma mão segurando uma caneta aponta para um documento financeiro com números e porcentagens, ao lado de uma calculadora, ilustrando como os estados e o congresso planejam criar um imposto.

POR FIM:

“É outra pauta que estamos trabalhando e que, segundo Davi e Maia, vai ser priorizado no Congresso, junto com a tributária.”

Fonte: GMB / Malu Delgado – Valor

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