Inflação diminui apostas dos brasileiros

diminuição de apostas

O Brasil vive um momento complicado em sua economia e isso reflete diretamente no poder de compra dos cidadãos. O aumento da inflação, os altos juros e o aumento do dólar fazem com que o brasileiro pense duas vezes antes de adquirir novos produtos.

Nesse momento, seria comum que muita gente recorresse as famosas fézinhas para rechear o seu orçamento. Entretanto, há registros de que os brasileiros andam com medo até mesmo de contar com a sorte. Em São Paulo houve lotéricas com quedas de até 20% nas apostas de loteria e são vários os fatores que fazem com que os brasileiros decidam poupar o dinheiro ao invés de investir em bilhetes premiados.

Um fator importante para a diminuição de apostas é o reajuste de preços que ocorreu em abril, que girou em torno de 38,91% em cada produto. Bilhetes simples, como a Mega Sena, por exemplo, tiveram um aumento de 40%, a Mega Sena que antes custava R$2,50 passou para R$3,50.

Até mesmo apostadores antigos estão receosos em contar com a sorte, quem antes fazia a compra de 10 bilhetes, hoje diminuiu as apostas pela metade. Essa realidade vivida pelas lotéricas não afeta somente os empresários donos deste estabelecimento, a diminuição das apostas também reflete na economia, isso se dá porque parte do dinheiro arrecadado pelas lotéricas vai para o governo federal.

Em 2014, o governo arrecadou em média 1 bilhão de reais com impostos provenientes dos prêmios das apostas e mais 5,4 bilhões de reais para os chamados repasses sociais. Boa parte desse dinheiro é usado no Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), seguridade social e programas que sofrem com cortes de gastos promovidos pelo governo.

Existe luz no fim do túnel?

O que anda movimentando as lotéricas nesse momento de crise são os serviços que este estabelecimento presta, que vão além da venda dos seus produtos próprios. O pagamento do seguro-desemprego, por exemplo, é algo que vem movimentando as lotéricas nos últimos tempos.

Além disso, a lotérica prestas serviços diretos para a Caixa Econômica Federal, como saques, depósitos e a prestação de serviços para outros bancos, como o pagamento de carnês e boletos.

Já no primeiro semestre de 2015 a Caixa mostrou um aumento de 10,3% no volume de transações bancárias realizadas em lotéricas do país – excluindo a venda de bilhetes. Se comparar com o mesmo período do ano passado, vemos que o valor dessas transações passa de R$ 1,192 bilhão para R$ 1,315 bilhão.

Para sobreviver a essa crise os lotéricos precisam investir cada vez mais nestes serviços e na venda de outros produtos. Existe a possibilidade de fornecer serviços não vinculados a bancos, como a impressão de boletos, xerox de documentos, a venda de porta crachás e etc., esses serviços além de facilitar a vida de várias pessoas que frequentam as casas lotéricas, ainda pode influenciar positivamente na lucratividade deste estabelecimento.

Também vale à pena deixar os produtos das lotéricas sempre em locais de destaque, isso pode instigar o cidadão que foi utilizar um serviço da lotérica a adquirir um produto.

 

 

Neimar Mariano de Arruda é Lotérico e Fundador da DouraSoft,
Administrador de Empresas, Consultor em Gestão Empresarial e
Especialista em Governança de Tecnologia da Informação
(67) 9.9698-3422

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