Uma nova visão para os sindicatos depois da reforma trabalhista

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Brasil, São Paulo, SP. 13/07/2011. Imagem de carteira de trabalho e cédulas de Real. - Crédito:ITACI BATISTA/AE/AE/Código imagem:131044

O Brasil possui cerca de 17 mil sindicatos em todo o seu território, abrangendo todas as regiões. Ao analisar alguns setores da economia, em praticamente todos os Estados, muitos dos sindicatos se repetem nas categorias. A reforma trabalhista pode fazer com que esse quadro seja profundamente alterado.

Analisada com mais cuidado, de uma forma racional, a reforma trabalhista, com todas as mudanças provocadas principalmente para os sindicatos, vai permitir que os trabalhadores possam se envolver mais com suas próprias categorias, buscando o fortalecimento de seu relacionamento com os empregadores.

Assim, a reforma vai fazer com que os sindicatos possam se unir para se desenvolver e atender às necessidades dos trabalhadores. Ao mesmo tempo que pode ajudar os sindicatos de menor porte, as categorias que estão melhor organizadas também podem aproveitar o momento para oferecer mais qualidade em suas próprias condições de trabalho.

A queda de receita provocada pela reforma trabalhista

Um dos principais problemas causados pela reforma trabalhista para os sindicatos, certamente, foi a queda da receita, com a extinção da contribuição sindical obrigatória. Essa contribuição exigia dos trabalhadores o pagamento de um dia de salário por ano, sendo recolhida para o governo federal.

O dinheiro da contribuição sindical, além de servir para oferecer sustentação financeira aos sindicatos, também era encaminhado para as federações, confederações, centrais sindicais e também para o Ministério do Trabalho.

Com sua extinção, os sindicatos, federações e centrais sindicais podem, num primeiro momento, serem obrigados a tomar atitudes para reduzir custos, mas essa condição pode também fortalecer as representações de todas as categorias.

Para os trabalhadores, essa mudança só pode trazer benefícios. Os sindicatos, depois da reforma trabalhista, podem se enfraquecer se não tomarem atitudes em favor de seus associados e, principalmente, de trabalhadores não associados.

Os líderes sindicais, frente à reforma trabalhista, devem ter uma nova visão sobre sua atividade e sobre a necessidade de fortalecer as categorias a que pertencem. Se a negociação coletiva está agora liberada para ser conduzida por uma comissão de trabalhadores e não mais pelos representantes dos sindicatos, é a oportunidade para que os lideres possam se aproximar dos trabalhadores.

Cabe aos sindicatos, portanto, o trabalho de conscientização dos trabalhadores para que essas negociações sejam conduzidas de forma a não ferir os direitos e não transgredir as regras já estabelecidas para a relação entre os empregadores e empregados.

Com essa nova visão, os sindicatos poderão aumentar consideravelmente o número de associados, uma vez que, ao participar mais efetivamente das negociações, irão conquistar maior credibilidade e poderão contar com um maior número de associados pagando mensalidades e oferecendo os recursos para fortalecer as entidades sindicais.

A reforma trabalhista fortalece os sindicatos

Com o pagamento da contribuição sindical obrigatória, muitos trabalhadores se mantinham distantes dos sindicatos, considerando que era de responsabilidade dos líderes sindicais lutar pelos direitos dos empregados sem que precisassem participar mais efetivamente.

Essa situação fazia com que muitos sindicatos apenas se preocupassem com a negociação coletiva, sem oferecer uma maior gama de serviços aos associados.

A nova ordem, estabelecida com a promulgação da reforma trabalhista, também estabelece essa nova visão, levando os sindicatos a se aproximar desses trabalhadores que, de uma forma ou de outra, se mantinham distantes das entidades representantes de suas categorias.

As regras, portanto, agora são outras: os sindicatos devem procurar fazer uma gestão aprimorada, oferecer mais serviços e se atualizar com relação à sua própria administração, aproximando-se dos trabalhadores e fortalecendo cada vez mais as categorias que representam.

Ou seja, a reforma trabalhista tornou necessário que os sindicatos sejam uma empresa de representação, oferecendo serviços e conhecimento e, dessa maneira ajudando cada associado a crescer profissionalmente.

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